Henrique o menino que não vê
No 1º dia de aulas, Henrique não sabia dos obstáculos no seu caminho para a escola. Desde o nascimento, era invisual. Com o passar dos anos isolou-se porque era diferente de outros meninos, não via. Naquele ano encheu-se de coragem e pediu aos pais para ser matriculado numa escola pública, para que se pudesse integrar na vida de crianças “normais”. Despediu-se dos pais e saiu para a escola.
- Tens a certeza que não queres que te leve à escola?- perguntou o pai.
-Não, obrigada. – disse o Henrique – Até logo.
O caminho para a escola não foi fácil, os passeios estavam em mau estado e tinham lixo e ramos de árvores, havia carros estacionados no passeios, postes de electricidade e cabos no meio dos passeios e por vezes nem havia passeio. Atravessar a estrada também foi difícil pois não havia sinalização para o Henrique se orientar.
Finalmente entrou na escola, assim que entrou tropeçou na rampa de entrada para o refeitório, mas seguiu o seu caminho, chegou à porta para entrar no pavilhão, chegou às escada, subiu com facilidade, pois o corrimão deu-lhe uma ajuda, pela forma como está feito. Depois de subir as escada, tentou orientar-se com a sua bengala, mas não conseguiu achar a sala. De repente, foi empurrado por uma enchente de alunos e caiu no chão, triste e desesperado, sentiu uma mão no seu ombro.
-Precisas de ajuda?
- Não, não, obrigada. Eu consigo. – disse o Henrique, levantando-se sozinho.
- De certeza? Eu só te quero ajudar. Para que sala queres ir?
- Quem és tu? – perguntou o Henrique.
- Chamo-me Diana e sou do 5º C, vou levar-te à tua sala, anda. – disse Diana.
Como não tinha alternativa, Henrique aceitou e foram juntos até à sala onde estava o turma do Henrique, Diana despede-se do Henrique, acompanhando-o até a um lugar vazio.
- Olá Henrique, sou a professora Sónia, sou a vossa directora de turma e também professora de Matemática. Vou agora distribuir as fichas de identificação para preencherem.
A Margarida, uma aluna da turma, colocou o dedo no ar e disse à professora:
- Aquele menino não consegue preencher a ficha.
- Tens razão, Margarida. – disse a professora. – Esqueci-me de vos dizer que o Henrique é invisual.
A professora explicou à turma o que é ser invisual.
A Margarida, disse logo à professora que podia ajudar o Henrique a preencher a ficha.
Outro aluno da turma perguntou à professora:
- Se ele é cego, como é que vai conseguir estudar?
- Vamos arranjar uma solução - respondeu a professora – Vou falar com o Director da Escola, para arranjar livros e um computador, para que o Henrique possa, ler e escrever e claro estudar.
Em conjunto os alunos da turma, decidiram ajudar o Henrique até ter os seus livros especiais e o seu computador especial.
Perante a ajuda dos alunos da turma e dos professores, o Henrique já não se sentia tão sozinho
FIM